19.8.11

Move on

 O meu livro (:
 Não é nenhuma auto-biografia, é a minha simples fantasia, um romance, como EU o quero. Espero que gostem. Gostaria de saber a vossa opinião. Só publico o 1º capítulo, mas já escrevi muito mais.



Prólogo

    Estava a ficar sem fôlego, porque estava a correr o mais rápido possível. Sentia os meus pés arrastarem-se pelo chão, cada passo com mais força. Tentei concentrar-me no caminho, olhar em frente e esquecer o que estava atrás de mim.
Mas sucedeu aquilo de que tinha medo desde que iniciara este plano de fuga. Tropecei, caí de lado no meio da estrada. Estava com os olhos fechados para tentar resistir à dor que sentia, sentia a luz da lua bater-me na cara.
    Quando abri os olhos, com certa dificuldade, vi prédios à minha volta, de todas as formas e de todas as cores. Sentei-me e olhei para trás para ver se teria que fugir novamente ou podia permanecer para descansar e respirar fundo. Mas, não. Logo que me virei para trás uma grande mão me agarrou o braço, com força suficiente para já não o poder largar.
    A mão que me agarrava era pesada e fria. Aquela mão seria muito fácil de reconhecer e estava cheia de nódoas e feridas.
    Olhei para cima e vi a cara sombreada dele, os seus olhos verde-escuros fixos em mim. O seu cabelo louro acastanhado no escuro parecia castanho-escuro. Tentei levantar-me, mas com brusquidão ele puxou-me diante de si, largando o meu braço, mas pegando-me na cara, com as duas mãos. Obrigando-me a olhar-lhe nos olhos.
    - Wanda. – Murmurou ele sorrindo com cara de idiota.
    Tentei desviar a cara mas sem sucesso. Durante uns longos momentos ele fitava-me e o silêncio reinava pelo sítio em que nos encontrávamos. Mas de seguida o silêncio foi interrompido pela voz de Darien, que me segurava a cara com brusquidão:
    - Eu avisei-te que não podes fugir de mim. Eu apanho-te sempre. Nunca irás escapar-me e tu sabes disso. Tu pertences-me e a mais ninguém, sem ser comigo, estás autorizada a falar. Tu podes perder-te num instante neste mundo. Tu não o conheces e eu não vou deixar, nunca, que o conheças.
    - Mas eu quero conhecê-lo! Tenho dezasseis anos e idade suficiente para cuidar de mim própria! – Respirei fundo, mas de seguida acrescentei. - Eu não pertenço a ninguém!
    - Tu pertences-me sim! Tenho o controlo sobre ti, desde que os teus pais morreram és só minha!
    Darien tinha vinte e nove anos, muitos pensam que ele é meu namorado por parecer mais novo do que é, mas não o é, nem de perto. Eu tinha cinco anos quando os meus pais morreram numa viagem de barco de New York para Angola por causa de uma forte tempestade. Fui adoptada por Darien Tegereg que nessa altura julgava conhecer muito bem os meus pais.
    Antes de ser adoptada por ele eu tinha todas as liberdades, mas a partir do momento em que entrei pela porta da casa dele, a minha vida mudou-se drasticamente. Sempre vivi sob o controlo dele. Ele batia-me quando estava com raiva, trancava-me dentro de casa quando não lhe apetecia ver-me e até me viola quando ele quisesse. Ao longo destes anos a minha força foi diminuindo, já não aguento mais. Deixei de ir para a escola a umas semanas atrás, emagreci bastante, tenho o corpo todo ferido e eu quero fugir disto tudo. Mas como? Só vejo uma resolução para este problema: ou acabo com a minha vida ou com a vida de Darien.
    - Está bem. – Respondi eu, sentindo os olhos encher-se-me de lágrimas.
    Ele largou-me a cara com brusquidão e pousou-me a mão no ombro. Quando nos virámos para irmos embora um carro estava a vir em direcção a nós, reparei que a velocidade do mesmo era muita. E, enquanto Darien ficava a olhar para o carro a aproximar-se dele, eu desviei-me para o lado direito, largando o braço de Darien, e corri para perto de um prédio que se encontrava do mesmo lado.
    Esperei que Darien viesse atrás de mim, mas dando a conhecer que não se encontrava comigo, a única possibilidade era de que ainda se encontrava na estrada. Recusei-me de olhar par a estrada para o confirmar e fi-lo bem, porque a única coisa que ouvi perante o silêncio, foi o forte ruído das rodas de um carro a travarem bruscamente e um berro de desespero que saiu da boca de Darien.
    Fiquei desesperada, pelo facto de não ouvir mais nada. Não sabia se estaria chocada de mais para ouvir alguma coisa ou se seria mesmo o silêncio que reinava. Fechei os olhos e virei-me lentamente para o lado. Ouvi-a a ambulância aproximar-se, mas não me importava com isso. Estava agora no passeio, abri os olhos, mas não os virei para o carro. Comecei a andar diante o passeio, sempre em frente e com cada passo me sentia mais livre.
    Estava muito frio, estava chocada e arrepiada. Estava a sentir alguma dor de cabeça e fiquei mal disposta ao imaginar o que terá sucedido por de trás das minhas costas. Apertei a blusa azul de manga curta que tinha vestido por cima de um top branco.
    Passado algum tempo em que andei pela cidade, comecei a pedir abrigo nos apartamentos por onde passava. Mas ninguém me autorizou dormir na casa deles, a maior parte das pessoas nem ligava ao que dizia, estavam mais preocupados em criticar-me pelas horas a que os acordei. Até é compreensível, sendo que são quatro horas da manhã.
    Cheguei a um prédio de cor azul-claro por fora, o edifício tinha muitas janelas. Entrei pela porta de entrada e comecei a perguntar de apartamento em apartamento, mas até ao oitavo andar ninguém me deu abrigo, até cheguei a ter discussões com certas pessoas. Chegando ao nono andar, bati primeiro à porta do apartamento 9D. Esperei um pouco para verificar se a pessoa que ali vivia abria a porta ou não.
    Soltei um suspiro. E quando me estava a encaminhar para a porta do lado a porta em que batera abriu-se lentamente.
    Olhei para ver quem ali se encontrava e vi a cara de um rapaz com mais ou menos de dezoito anos, com o cabelo castanho-escuro e curto, tendo olhos castanho-claros. Ele estava de calções, estes mesmos eram azul-escuros, trazia um roupão de banho cinzento e uns chinelos pretos. Ele era alto e tinha um corpo musculado.
    - Bom dia. – Cumprimentou-me ele, passando uma das mãos pelo cabelo ainda não me vendo com claridade.
    - Bom dia… Peço desculpa estar a acordá-lo, mas procuro abrigo para algum tempo. Já percorri quase a cidade toda. – Disse, mas para não parecer muito atirada acrescentei. - Mas se quiser eu seguirei em frente o meu caminho. – Tremia e tinha o coração acelerava os batimentos.
    Ele pareceu estar a pensar durante uns momentos, fitando o chão, mas depois respondeu-me com uma voz calma:
    - Podes ficar cá, menina. Entra.
    Acenei com a cabeça e entrei pela porta do seu apartamento.
    - Muito obrigada, nem sabe que alívio é finalmente poder encontrar alguém que me ajude. – E estava mesmo.
    Logo à entrada encontrava-se a sala de estar que era muito grande e decorada com cuidado: tinha um plasma em cima de um pequeno armário branco, uma das paredes era azul claro e as outras brancas, tinha fotografias emolduradas, dos familiares e amigos, nas paredes, o sofá era preto e o cadeirão vermelho, no meio dos sofás encontrava-se uma pequena mesa de vidro.
    Uma das paredes brancas da sala tinha três grandes janelas pelas quais se pude dar acesso a uma grande varanda. Da varanda podia ver-se a cidade, olhar para baixo e ver a estrada e ao lado via-se os prédios, cada um maior que o outro.
    Ao entrar para a sala virei-me para uma parede que tinha um espelho colocado à minha altura. Vi que o meu cabelo comprido, ondulado e castanho-escuro estava um pouco despenteado e vi que os meus olhos castanho-escuros estavam a brilhar.
    Virei-me novamente para a sala e o rapaz sentou-se no cadeirão e fez-me um sinal com uma das mãos para que me sentasse no sofá ao seu lado. Acenei e sentei-me no canto do sofá, perto dele.
    - O que andas a fazer por aqui? – Perguntou ele, analisando-me de cima para baixo com os seus olhos cor de avelã.
    - É um pouco difícil de explicar… - Murmurei estando ainda a adequar-me ao esperado calor que me invadia totalmente.
    - Eu sei, deves estar um pouco cansada de andares quase pela cidade inteira. Acho melhor falarmos amanhã, também estou um pouco cansado.
    - Agradeço muito, senhor. – Finalmente tive coragem de olhar nos olhos do homem que se encontrava ao meu lado.
    - Não me trates por senhor, isso faz-me sentir velho. – Ele sorriu-me com a tentativa de me animar. – O meu nome é Jayden Stenton mas trata-me por Jayden. – Confirmei-lhe o seu pedido com um aceno. – E tu és a…
    - O meu nome é Wanda Cannan, mas podes tratar-me, também, simplesmente, por Wanda. – Sorri e olhei para o relógio que estava pendurado numa das paredes. Era tarde.
    - Esse nome é muito giro.
    - Muito obrigada senh… ah, Jayden.
    Por uns momentos ele fitou-me parecendo querer dizer algo. Mas depois desviou o olhar, coçando-se no pescoço e baixando os olhos para a mesa.
    - Acho que te vou mostrar o quarto das visitas, onde poderás dormir.
    Levantou-se e segui-o. Andámos até uma porta situada num corredor afastado da sala de estar. Ele abriu a mesma porta e atrás dela surgiu um quarto não muito pequeno com uma parede vermelha à qual estava encostada a cama dupla com cobertores e lenços brancos e vermelhos. Ao lado a cama encontrava-se uma mesa-de-cabeceira preta com um candeeiro vermelho em cima. Um armário estava situado do outro lado do quarto.
    Dois tapetes pretos, um de cada lado da cama, estavam no chão de madeira e mais ao lado do armário situava-se uma porta que dava para uma casa de banho totalmente branca.
    - Estou impressionada. Muito obrigada! – Fiquei espantada por ver a decoração e a limpeza do quarto.
    - Ainda bem que gostas, não precisas de estar a agradecer por tudo, Wanda.
    - Está bem. Acho que vou dormir muito bem. – Quando olhei para o armário lembrei-me de mais uma questão. - Só mais uma pergunta… não tens alguma roupa de rapariga ou assim? – Perguntei com cuidado.
    - Tenho. – Ele sorriu durante um momento. - Tens mesmo muita sorte, porque uma amiga minha deu-me a roupa dela que ela já não veste, para eu a enviar para uma associação, mas podes calcular o quanto me apetece gastar dinheiro para enviar aqueles quatro sacos cheios. – Soltou um suspiro. – Ela tem mais ou menos o teu tamanho. – Olhou-me de cima para baixo.
    Jayden foi buscar os quatro sacos pretos em que se encontravam as roupas da amiga e despejou-os em cima da cama. Agradeci-lhe e dei-lhe as boas noites.
    Ele foi-se deitar, enquanto fui tomar um banho, vestir-me e deitar-me na cama confortável e quente. Olhei para o preto que via no meu quarto quando desliguei a luz e pensei: “Agora vou olhar em frente, vou esquecer tudo do passado e vou começar uma nova vida!”. Eu sabia que não era fácil, porque o meu passado é constituído por torturas físicas e psicológicas e primeiro teria que me orientar a partir deste ponto de partida.

2 comentários:

  1. Amei ^^ a forma como escreves, a emoção que me provocaste ao ler o primeiro capitulo! Es uma optima escritora!! fico a espera do resto :D

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